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há dois meses do exame, ainda dá tempo estudar?

Escola do Legislativo da Paraíba abre 60 vagas para cursinho preparatório ao ENEM 2025. Reprodução

Faltam cerca de dois meses para o primeiro dia de aplicação das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2026. Para estudantes que ainda não conseguiram manter uma rotina de estudos ou que chegam à reta final com dificuldades em conteúdos importantes, o momento é de reorganizar a preparação e estabelecer prioridades.

De acordo com professores ouvidos pelo Jornal da Paraíba, ainda é possível avançar significativamente até a prova, mas a estratégia precisa ser diferente daquela adotada ao longo de um ano inteiro de preparação. Em vez de tentar recuperar todo o conteúdo de uma só vez, a orientação é concentrar esforços em assuntos recorrentes, resolução de questões, produção de redações e simulados.

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Para a professora de redação Josy Kelly Santos, o primeiro passo para quem estudou pouco é manter a calma e direcionar os estudos para aquilo que pode trazer resultados mais concretos.

“O importante nesta reta final é manter a calma e focar naquilo que funciona: resolução de questões (simulado). Apesar do pouco tempo, ainda há esperança”, explica.

Segundo ela, o estudante deve organizar uma rotina que contemple horários de estudo, produção de uma redação por semana e resolução de questões. A tentativa de estudar conteúdos isoladamente, sem uma estratégia definida, pode aumentar a ansiedade e dificultar a preparação.

Na matemática, a recomendação também é evitar a tentativa de recuperar todo o programa da disciplina. Para o professor de matemática José Ferreira Lima Neto, o foco deve estar nos conteúdos que oferecem maior possibilidade de garantir acertos nas questões fáceis e médias.

Entre os assuntos indicados estão quatro operações, frações, números decimais, razão e proporção, regra de três, porcentagem, conversão de unidades, gráficos e tabelas, estatística básica, geometria plana, Teorema de Pitágoras, escalas, volumes, equações do primeiro grau e função afim.

Dentro dessa lista, o professor aponta como prioridade regra de três, porcentagem, interpretação de gráficos e tabelas, estatística básica e geometria básica.

“São conteúdos que apresentam um bom custo-benefício para o estudante que dispõe de pouco tempo e precisa direcionar os estudos para questões mais acessíveis da prova”, afirma.

Redação: dominar a estrutura pode fazer diferença

Freepik.

A redação é uma das áreas que mais preocupa os candidatos na reta final. Para quem está começando praticamente do zero, Josy Kelly aponta que a prioridade deve ser entender a estrutura exigida pelo Enem e dominar as competências avaliadas.

O texto precisa seguir o modelo dissertativo-argumentativo, além de apresentar uma proposta de intervenção para o problema discutido. Por isso, conhecer a estrutura cobrada pela banca pode ajudar o candidato a organizar melhor o texto e evitar a perda de pontos por desconhecimento dos critérios de avaliação.

A professora recomenda ainda a leitura e interpretação das competências e a análise de redações que receberam nota mil em edições anteriores.

Para ela, o candidato não precisa chegar à prova sabendo reproduzir modelos prontos, mas compreender como os elementos exigidos aparecem em textos bem avaliados.

Matemática: menos fórmulas e mais interpretação

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Em matemática, o professor José Ferreira explica que os chamados “atalhos” para quem tem pouco tempo não estão necessariamente em decorar fórmulas, mas em dominar conteúdos que aparecem com frequência e podem ser resolvidos a partir de raciocínio, interpretação e operações básicas.

Entre os assuntos que devem receber atenção estão razão e proporção, regra de três, porcentagem, gráficos e tabelas, estatística, escalas, conversão de unidades, geometria e função afim.

A recomendação é evitar uma preparação superficial de todo o conteúdo programático.

“Em dois meses, é muito mais eficiente dominar bem alguns conteúdos recorrentes e resolver muitas questões fáceis e médias do Enem do que tentar estudar superficialmente todo o programa de Matemática”, afirma.

Repertório coringa não é recomendado na redação

Na redação, uma das estratégias que costuma aparecer entre os candidatos é a tentativa de memorizar citações ou referências que possam ser utilizadas em diferentes temas. Para Josy Kelly, porém, essa não é uma boa alternativa.

A professora é enfática ao recomendar que os candidatos não apostem em “repertório coringa”.

A orientação é estudar por eixos temáticos, como saúde, educação, meio ambiente, tecnologia e questões sociais e culturais. Além disso, o estudante deve considerar conhecimentos adquiridos ao longo da vida escolar e fora dela.

Filmes, livros, acontecimentos históricos e questões contemporâneas podem ajudar na construção da argumentação, desde que tenham relação efetiva com o tema proposto.

Repertório coringa JAMAIS. O candidato, mesmo na reta final, precisa estudar por eixos temáticos (saúde, educação, meio ambiente, tecnologia, social e cultural) e, principalmente, confiar no seu conhecimento de mundo, ou seja, nos filmes, livros, contextos históricos ou atuais que ele já estudou.” destacou a professora.

Segundo Josy, os temas cobrados pelo Enem costumam abordar problemas que afetam a sociedade. Por isso, conhecimentos desenvolvidos em disciplinas como história, biologia e literatura também podem contribuir para a construção do repertório.

Simulados ajudam a descobrir onde o tempo está sendo perdido

Lá Vem o Enem: saiba como enviar sua redação na plataforma de correção gratuita. Freepik.

Além de testar conhecimentos, os simulados podem funcionar como uma ferramenta para treinar a administração do tempo de prova.

No primeiro dia do Enem, os candidatos têm 5 horas e 30 minutos para responder às questões de linguagens e ciências humanas e produzir a redação. Para a professora de redação, o treinamento precisa reproduzir, sempre que possível, as condições encontradas no exame.

Uma das estratégias indicadas é reservar até duas horas para a redação durante o simulado. Se o candidato ultrapassar esse período com frequência, poderá comprometer o tempo disponível para as demais questões.

O professor de matemática também recomenda o uso de exercícios cronometrados. Segundo ele, a prática permite identificar quais conteúdos ou etapas da prova estão consumindo mais tempo.

Para quem tem duas ou três horas por dia, constância é essencial

Mesmo para estudantes que precisam conciliar a preparação com a escola, trabalho ou outras atividades, o professor de matemática considera possível estabelecer uma rotina objetiva.

Uma hora diária pode ser destinada à disciplina, dividida em três etapas: 30 minutos para resolver questões, 20 minutos para corrigir e analisar os erros e 10 minutos para revisar os conteúdos ou refazer exercícios que apresentaram dificuldade.

Uma vez por semana, o período pode ser utilizado para um bloco cronometrado de questões.

A orientação é evitar que a maior parte do tempo seja consumida apenas por videoaulas ou cópia de teoria. Para o professor, a sequência mais eficiente nesta reta final é resolver, corrigir, entender o erro e tentar novamente.

“Sou péssimo em matemática” deve ficar de lado

Um total de 22 pessoas privadas de liberdade foram aprovadas para o curso de Letras EAD do IFPB, um dos cursos mais concorridos da instituição.. Divulgação/Secom/Governo da Paraíba

O desempenho em exatas também passa pela relação do estudante com a própria capacidade de aprender. Para José Ferreira, um dos primeiros obstáculos a serem enfrentados é a ideia de que alguém é naturalmente incapaz de aprender matemática.

A proposta é substituir o pensamento “sou péssimo em matemática” por uma avaliação mais realista: “ainda não domino alguns conteúdos, mas posso aprender o suficiente para avançar”.

O professor ressalta que, a pouco mais de dois meses da prova, o objetivo não deve ser dominar toda a matemática, mas conquistar os pontos possíveis a partir dos conteúdos prioritários.

“Não é preciso saber tudo; é preciso aprender o próximo passo e garantir os pontos que estão ao alcance”, afirma.

Atenção à interpretação pode evitar erros simples

Segundo o professor, parte dos erros cometidos pelos candidatos no Enem não está relacionada à falta de conhecimento matemático, mas à pressa na leitura e interpretação dos enunciados.

Entre os equívocos mais comuns estão responder a um resultado intermediário em vez do que foi efetivamente perguntado, esquecer conversões de unidades, confundir área e perímetro, aplicar porcentagem sobre um valor incorreto e interpretar de maneira equivocada gráficos, escalas e intervalos.

Também é comum que o candidato não perceba palavras como “diferença”, “total”, “restante”, “maior”, “menor” e “aproximadamente”.

Para reduzir esses erros, a recomendação é criar um hábito durante os estudos: antes de começar os cálculos, identificar exatamente o que a questão pede, quais informações serão utilizadas e em qual unidade a resposta deve ser apresentada.

Depois da resolução, o estudante deve fazer uma última conferência: a resposta encontrada realmente responde ao que foi perguntado?

A prática constante de questões de edições anteriores do Enem pode ajudar a transformar esse procedimento em um hábito para o dia da prova.

O que fazer nos próximos dias?

Enem 2025: tema da redação é ‘Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira’ – Foto: Divulgação. Divulgação

Com pouco mais de dois meses pela frente, as orientações dos professores convergem para uma preparação baseada em estratégia, prática e regularidade.

Para a redação, a prioridade é dominar a estrutura, compreender as competências avaliadas, produzir textos semanalmente e ampliar o repertório por meio de eixos temáticos, sem depender de citações decoradas.

Em matemática, o caminho indicado é concentrar esforços nos conteúdos mais recorrentes e acessíveis, resolver muitas questões e analisar os erros cometidos.

Os simulados devem fazer parte da rotina não apenas para medir conhecimento, mas também para treinar ritmo, interpretação e administração do tempo.

A reta final, portanto, não precisa ser encarada como um período de recuperação de tudo o que não foi estudado. A estratégia indicada pelos professores é identificar o que ainda pode ser aprendido, estabelecer prioridades e transformar os 66 dias restantes em um período de preparação direcionada.

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