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Lucas cresce entre jovens e avança no eleitorado bolsonarista na reta final

Gustavo Demétrio/g1 PB

Última pesquisa Quaest antes do primeiro turno mostra avanço de Lucas Ribeiro em diferentes faixas do eleitorado. Crescimento entre jovens, eleitores bolsonaristas e pessoas pretas está entre os movimentos mais expressivos da série.

A última pesquisa Quaest antes do primeiro turno das Eleições 2026 mostra que o crescimento de Lucas Ribeiro (PP) na disputa pelo Governo da Paraíba ocorreu de forma disseminada por diferentes segmentos do eleitorado. Os dados foram divulgados neste sábado (3) pelas TVs Cabo Branco e Paraíba.

Os recortes por idade, identificação política, escolaridade, renda e cor ou raça ajudam a explicar o movimento registrado no cenário geral da eleição.

Entre os destaques estão o avanço de Lucas entre os mais jovens e a entrada do candidato em um espaço até então mais favorável a Efraim Filho (PL): o eleitorado que se identifica como bolsonarista.

Ao mesmo tempo, Cícero Lucena (MDB) perdeu espaço em alguns grupos, principalmente entre os eleitores de 16 a 34 anos.

Efraim, por sua vez, mantém percentuais mais estáveis em boa parte dos segmentos e continua competitivo entre os bolsonaristas.

Lucas cresce 23 pontos entre os jovens; Cícero perde 11

Um dos movimentos mais claros da série aparece entre os eleitores de 16 a 34 anos.

Em agosto, Lucas tinha 30% nesse grupo. Subiu para 47% em setembro e chega à última pesquisa com 53%, um crescimento de 23 pontos percentuais desde o início da série.

No sentido contrário, Cícero passou de 22% para 11% entre os mais jovens, uma queda de 11 pontos no mesmo período.

Efraim chega a 19%, depois de registrar 14% em setembro.

Avanço entre bolsonaristas muda configuração desse eleitorado

Outro dado relevante aparece na identificação política.

Entre os eleitores que se declaram bolsonaristas, Lucas tinha apenas 19% em agosto. Passou para 29% em setembro e agora aparece com 42%.

É um avanço de 23 pontos percentuais em pouco mais de um mês e que praticamente elimina a vantagem que Efraim mantinha nesse segmento.

Efraim tinha 42% entre os bolsonaristas em agosto, chegou a 51% em setembro e agora registra 41%.

Os dois, portanto, aparecem numericamente lado a lado dentro de um grupo que, no início da série, era amplamente mais favorável ao candidato do PL.

Como a margem de erro desse segmento é de oito pontos percentuais, não é possível apontar liderança entre os dois.

Lucas também avançou entre os eleitores de direita não bolsonarista: passou de 28% em agosto para 36% em setembro e chega a 41%. Efraim, que chegou a 44% nesse grupo na pesquisa anterior, registra agora 36%.

O resultado sugere uma ampliação da candidatura de Lucas para além do campo político no qual já apresentava seus melhores números.

Entre os eleitores identificados como lulistas, por exemplo, Lucas continua em patamar elevado: tinha 45% em agosto, chegou a 63% em setembro e aparece agora com 61%.

Entre os independentes, passou de 41% para 50% durante a série.

Por renda

O mesmo movimento pode ser observado quando o eleitorado é dividido por renda.

Entre aqueles com renda familiar de até dois salários mínimos, o candidato do PP saiu de 35% em agosto para 51% agora.

Na faixa entre dois e cinco salários mínimos, foi de 39% para 52%.

E entre os eleitores com renda superior a cinco salários mínimos, passou de 40% para 56%. Nesse grupo, chegou a registrar 61% em setembro.

O dado indica que não há, neste momento, uma faixa de renda específica concentrando o avanço do candidato. Lucas aparece acima dos 50% nos três segmentos pesquisados.

A evolução se repete nos recortes de escolaridade.

Entre os eleitores com ensino fundamental, Lucas passou de 30% em agosto para 48% na última pesquisa. Nesse mesmo grupo, Cícero caiu e chega a 15%.

Entre os que têm ensino médio, Lucas avançou de 44% para 55%.

Já entre os eleitores com ensino superior, mantém seu maior percentual por escolaridade: 57%, depois de ter registrado 48% em agosto e 58% em setembro.

Efraim registra um movimento diferente nesse último grupo. Depois de marcar 14% em setembro, aparece agora com 23% entre os eleitores de nível superior, embora as oscilações precisem ser consideradas dentro da margem de erro específica do segmento.

Entre eleitores pretos, Lucas vai de 28% a 57%

No recorte de cor ou raça, o maior deslocamento também favorece Lucas.

Entre os eleitores pretos, o candidato saiu de 28% em agosto para 57% na pesquisa deste sábado — um avanço de 29 pontos na série.

Entre os pardos, passou de 39% para 53%. Entre os brancos, de 37% para 50%.

Mais uma vez, portanto, a evolução não aparece isolada em apenas um segmento, embora seja particularmente intensa entre os eleitores pretos.

As quedas

Na comparação com a rodada anterior, de setembro, Lucas Ribeiro apresentou queda numérica em apenas três recortes. Entre os eleitores com renda acima de cinco salários mínimos, passou de 61% para 56%; entre os lulistas, de 63% para 61%; e entre os eleitores com ensino superior, de 58% para 57%.

Ainda assim, os recuos estão dentro das margens de erro específicas de cada segmento e, em todos esses grupos, Lucas permanece acima do patamar registrado em agosto. Por isso, o movimento pode ser descrito mais como uma acomodação depois de altas anteriores do que como uma perda consolidada de apoio.

O que os recortes mostram sobre a reta final

O conjunto dos dados indica que o crescimento de Lucas registrado na disputa geral não resulta apenas de uma mudança em um grupo específico. Ele aparece simultaneamente entre diferentes faixas de idade, renda, escolaridade, cor ou raça e identificação política.

Cícero, por outro lado, enfrenta perdas importantes em alguns dos mesmos segmentos, especialmente entre os mais jovens.

Efraim preserva espaços de competitividade, sobretudo à direita, mas sem apresentar nos diferentes recortes uma expansão tão disseminada quanto a registrada por Lucas.

Margem de erro

Os números dos segmentos, no entanto, devem ser analisados considerando as margens de erro específicas de cada grupo, que variam nos gráficos entre três e oito pontos percentuais. Por isso, oscilações menores podem não representar mudanças estatisticamente significativas. O que chama atenção é principalmente a repetição de movimentos na mesma direção ao longo da série e em diferentes parcelas do eleitorado.

Dados da pesquisa

A Quaest, contratada pela TV Cabo Branco, realizou 1.800 entrevistas com eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 02 e 03 de outubro. A margem de erro máxima para o total da amostra é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número: PB-05048/2026.

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