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Usar ou não as IAs é uma escolha. Mas até quando?

Jornal da Paraíba

Na vida profissional, ignorar a inteligência artificial pode ser um risco. Na vida pessoal, ela pode facilitar muito mais do que imaginamos, sem que precisemos abrir mão de quem somos.

Você não gosta de inteligência artificial? Não confia nela? Prefere continuar fazendo suas coisas como sempre fez? Tudo bem. Não precisamos transformar toda novidade tecnológica em uma obrigação.

Mas quero chamar sua atenção para uma diferença importante: na vida pessoal, usar ou não inteligência artificial é uma escolha. Na vida profissional, não aprender a utilizá-la pode significar ficar para trás.

Pense em dois profissionais com experiências semelhantes. Um continua fazendo tudo como sempre fez. O outro aprende a usar IA para organizar informações, pesquisar, analisar dados, testar ideias e ganhar tempo. Isso não significa que o segundo seja necessariamente melhor, mas ele passa a contar com recursos que podem ampliar sua capacidade de trabalho.

E não estou falando em deixar a inteligência artificial fazer tudo. Pelo contrário. Quanto mais essas ferramentas avançam, mais importante se torna saber pensar, orientar, analisar, corrigir e decidir.

A IA pode ampliar sua capacidade profissional, mas não precisa substituir sua identidade.

Vejo cada vez mais textos, imagens e apresentações parecidos, como se todo mundo tivesse passado a falar da mesma maneira. Isso acontece quando a pessoa aceita qualquer resposta, sem acrescentar sua experiência, seu conhecimento e sua maneira de enxergar o mundo. Usar IA não deveria significar deixar de ser você.

E dentro de casa?

Na vida pessoal, a conversa é diferente. Ninguém é obrigado a usar inteligência artificial para organizar a rotina, escolher um filme ou preparar o jantar.

Mas talvez muita gente ainda não tenha percebido como essas ferramentas podem ajudar em situações bem simples.

Imagine abrir a geladeira, encontrar três legumes, um pedaço de frango e perguntar o que dá para preparar com aquilo. Você pode informar quanto tempo tem, quais utensílios possui e até pedir uma alternativa mais saudável.

Ou dizer que gostou de determinada série e pedir sugestões de outras produções com histórias semelhantes, disponíveis nos serviços que assina. O mesmo vale para livros, filmes, viagens, organização doméstica e tantas outras atividades.

E aqui está uma diferença importante: a inteligência artificial pode fazer muito mais do que uma busca na internet.

Em vez de apenas apresentar uma lista de receitas, ela pode ajudar a adaptar uma receita aos ingredientes que você tem. Em vez de mostrar dezenas de livros, pode conversar sobre seus interesses, comparar histórias e refinar sugestões conforme suas preferências.

É uma ferramenta com a qual podemos desenvolver uma conversa, acrescentar informações e construir soluções aos poucos. Claro que suas respostas também podem conter erros, inclusive sobre ingredientes, livros e disponibilidade de filmes. Por isso, continua sendo importante conferir informações quando necessário.

Mas perceba como a experiência muda. A gente deixa de apenas procurar uma resposta pronta e passa a participar da construção da resposta.

Nem tudo precisa de inteligência artificial

Apesar dessas possibilidades, não acredito que precisemos colocar a IA em todos os momentos da vida.

Há prazer em escolher um livro pela capa, descobrir uma receita com alguém da família, entrar numa livraria sem saber o que procurar ou assistir a um filme simplesmente porque um amigo recomendou.

Nem toda decisão precisa ser otimizada. Nem toda experiência precisa ser mais rápida.

E também precisamos cuidar para não entregar às ferramentas informações pessoais, profissionais ou familiares sem considerar a privacidade e a segurança desses dados. A inteligência artificial deve ser uma possibilidade, não uma dependência.

No trabalho, aprender a utilizá-la pode se tornar uma competência cada vez mais importante. Em casa, pode representar praticidade, curiosidade, aprendizado e até diversão.

Mas, nos dois casos, existe algo que não deveria mudar: nossa capacidade de escolher.

Não precisamos competir com a inteligência artificial nem entregar nossa vida a ela. Precisamos aprender quando vale a pena usá-la e quando é melhor continuar fazendo as coisas do nosso jeito.

Porque a tecnologia pode ajudar a encontrar respostas, organizar ideias e descobrir possibilidades. Mas quem precisa continuar decidindo o que fazer com tudo isso somos nós.

Jeoás Farias – Jornalista, especialista em Consumo de Informação e Presença Digital

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