19 de setembro de 1981. Paul Simon estava a pouco menos de um mês de completar 40 anos. Art Garfunkel estava a um mês e meio de completar 40 anos.
19 de setembro de 1981. Simon & Garfunkel se reencontraram pela primeira vez em um grande concerto desde a separação da dupla, em 1970.
19 de setembro de 1981. 400 mil pessoas se reuniram no Central Park, em Nova York. Entre o fim da tarde e o início da noite, testemunharam um show histórico.
19 de setembro de 1981. Era um sábado. O verão acabando, o outono quase começando. Sábado passado, 19 de setembro de 2026, fez 45 anos.
O tempo passou. Em outubro que vem, dia 13, Paul Simon, ainda em turnê, vai fazer 85 anos. E em novembro, dia cinco, Art Garfunkel também vai fazer 85 anos.
19 de setembro de 1981. Quem abriu o concerto foi Ed Koch. Prefeito de Nova York, ele subiu ao palco e anunciou: “Ladies and gentlemen, Simon and Garfunkel”.
Simon & Garfunkel entraram em cena, e Simon, portando seu violão de cordas de aço, deu o sinal para a banda: “Here we go!”. Abriram com Mrs. Robinson.
Na segunda metade dos anos 1960, Mrs. Robinson foi um dos grandes sucessos de Simon & Garfunkel. É da trilha do filme A Primeira Noite de um Homem.
Àquela altura, em 1981, já se podia dizer que Simon & Garfunkel vinham de longe. Simon, garoto judeu de Nova Jersey. Garfunkel, garoto judeu de Nova York.
Nascidos em 1941, se conheceram ainda adolescentes. Inspirados nos Everly Brothers, formaram uma dupla. Antes de Simon & Garfunkel, foram Tom & Jerry.
Paul Simon compunha belas canções e cantava com uma voz doce e intuitiva. Art Garfunkel não compunha. Era um cantor mais técnico do que o parceiro.
O encontro das duas vozes era mágico. E, à disposição deles, estava o songbook autoral que Paul Simon legou ainda muito jovem ao mundo da canção popular.
O concerto daquele sábado, 19 de setembro de 1981, no Central Park marcou o reencontro da dupla e ofereceu ao público um revival com um set list antológico.
Não só Mrs. Robinson, mas Homeward Bound, America, Bridge Over Troubled Water, The Boxer, The Sound of Silence. Todas elas estavam no repertório.
E mais: a dupla, pela primeira vez, se encontrava para dar voz também às canções dos 10 anos iniciais da tão bem-sucedida carreira solo de Paul Simon.
Em 1981, por exemplo, pouco mais de meia década separava o público de Still Crazy After All These Years. Mas a canção já soava como um novo standard.
Na segunda metade do show, Simon mostrou uma música inédita, The Late Great John Ace. A letra falava de como ele soube do assassinato de John Lennon.
Enquanto Simon cantava, um homem enfurecido subiu ao palco, ameaçando o artista. Simon não escondeu o medo que sentiu, antes de seguir com a canção.
A menção ao “inverno de Nova York” (em The Boxer) e o verso “10 mil pessoas, talvez mais” (em The Sound of Silence) empolgavam a plateia.
The Boxer fechou o concerto antes do bis. The Sound of Silence fechou o bis. The Concert in Central Park – filme e disco – permanece emocionando os admiradores da dupla Simon & Garfunkel. Mesmo depois de todos esses anos.
