polícia deve ouvir pelo menos 30 pessoas, diz delegada

Funcionária tirando foto de criança de bruços e utilizando frauda em creche denunciada.. Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

A Polícia Civil da Paraíba deve ouvir pelo menos 30 pessoas na investigação sobre o abuso sexual de uma criança de dois anos em João Pessoa. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (16) pela delegada Andressa Rocha, da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Infância e Juventude.

A denúncia foi registrada no dia 23 de abril de 2026, mas o caso veio à tona apenas nesta terça-feira (14). Um exame pericial atestou a violência, e a mãe da menina suspeita que o crime tenha ocorrido na creche onde a criança estudava.

No entanto, a Polícia Civil afirma que, até o momento, os indícios não apontam que o abuso aconteceu no ambiente escolar. Os investigadores também estão ouvindo familiares da vítima para mapear a rotina da criança.

“Estamos realizando as intimações de outras pessoas para ouvir, entender a dinâmica dos dias anteriores, a dinâmica da família para entender, porque hoje os elementos não indicam que o fato ocorreu na creche”, afirmou a delegada Andressa Rocha.

Segundo a investigadora, o inquérito segue o trâmite necessário para garantir uma apuração responsável. “Na data de ontem foram expedidas sete intimações, quatro pessoas foram ouvidas agora pela manhã, ainda temos mais de 30 pessoas para ouvir, então o inquérito está durando o prazo necessário para que a gente produza uma conclusão com responsabilidade sobre a autoria e sobre o que aconteceu”, disse.

Denúncia

A mãe da menina relatou à TV Cabo Branco que percebeu um ferimento na região íntima da criança durante uma troca de fraldas. Ela procurou atendimento médico imediatamente, e a vítima foi encaminhada ao Instituto de Polícia Científica (IPC) para exames.

“A gente foi imediatamente para o hospital para ser avaliada. E nessa avaliação, tiveram umas dúvidas, mas foi encaminhada para o conselheiro tutelar e, após os procedimentos na delegacia, a gente foi para o IPC para fazer o exame sexológico. E, no momento do exame físico mesmo, a perita confirmou; ela positivou o abuso sexual da minha filha”, relatou a mãe, que preferiu não se identificar.

No laudo, o IPC atestou que não houve conjunção carnal, mas que uma lesão recente na região do hímen indica que a criança sofreu outro ato libidinoso.

A mulher alega que deixou a filha na creche por volta das 7h30, onde a menina permaneceu até as 16h30. Ela também afirma que a criança não teve contato com outras pessoas em casa.

A mãe e funcionários da unidade já foram ouvidos pela delegada Adriana Guedes, que também atua no caso e reiterou a falta de indícios de autoria até o momento.

Nota da Secretaria de Educação

“A delegacia imediatamente tomou as providências, ouviu a diretora da creche, ouviu a professora da criança, ouviu as cuidadoras, ouviu as auxiliares. Eu fui pessoalmente à creche fazer uma inspeção. Então, assim, as diligências continuam. Até o presente momento, a gente não tem assim nenhum indício de autoria”, declarou Adriana.

Em nota, a Secretaria de Educação de João Pessoa afirmou que “adotou imediatamente todas as providências administrativas cabíveis para a rigorosa apuração do caso, além de colaborar integralmente com a investigação conduzida pela Polícia Civil, disponibilizando, inclusive, as imagens do sistema de videomonitoramento da unidade”.

A pasta destacou ainda que “a avaliação realizada não identificou elementos que corroborassem a ocorrência dos fatos narrados nas dependências da unidade escolar”.