De olho na vice, Galdino atua como ‘pastor’ na defesa de Lucas

divulgação/Lucas Ribeiro

O presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (Republicanos), ainda não tem dito publicamente que quer ser o candidato a vice na chapa para reeleição do governador Lucas Ribeiro (PP). Mas, na política, nem sempre é preciso verbalizar uma pretensão. Muitas vezes, os gestos falam mais alto.

Nos últimos eventos da base governista, o deputado tem assumido um papel que vai além do de aliado. Atua como um verdadeiro “pastor” do grupo, convocando lideranças, inflamando na militância o sentimento de pertencimento ao projeto liderado por PP, PSB e Republicanos e, em alguns momentos, conduzindo a plateia a responder em coro às palavras de ordem que ele próprio dita.

É uma técnica antiga de liderança política: reforçar a identidade coletiva, demonstrar capacidade de mobilização e, ao mesmo tempo, deixar evidente quem consegue reunir e conduzir os “fiéis” do grupo.

A performance também tem endereço certo, já que Lucas Ribeiro repete, sempre que questionado, que ainda não há definição sobre quem ocupará a vaga de vice.

Enquanto a decisão não chega, Galdino parece trabalhar para reduzir o número de alternativas. A mensagem é simples: além da fidelidade política, ele demonstra capacidade de mobilizar a militância e de defender, com entusiasmo, o projeto de continuidade do governo.

Vice de Lucas vira dilema

O movimento ocorre justamente quando o governador vive um dos principais dilemas da montagem da chapa.

Se escolher Galdino para a vice, fortalece o Republicanos e preserva a unidade da principal aliança governista. Em contrapartida, passa a conviver com um aliado que dificilmente deixará de se colocar, em 2030, como candidato natural à sucessão estadual. É um fator que pode limitar futuras negociações com outros partidos que também projetam espaço na disputa pelo Palácio da Redenção.

Se optar por outro caminho, Lucas também assume riscos. Sem espaço na chapa majoritária, em um cenário de eventual derrota de Nabor Wanderley na disputa pelo Senado, o Republicanos pode reduzir o entusiasmo na campanha, especialmente em um eventual segundo turno.

Nesse tabuleiro, Galdino parece ter escolhido sua estratégia. Demonstra lealdade sem medir esforços, ocupa os espaços públicos como principal defensor do projeto governista e mostrar que, hoje, poucos aliados conseguem arregimentar tantos “fiéis” quanto ele.