Faz tempo que digo que os Beatles não têm fim. Agora, ando dizendo que só a morte nos livrará deles. A permanência dos caras e da música deles é impressionante.
Daqui a pouco mais de um mês, no início de outubro, será lançada uma big edição de Rubber Soul, o incrível álbum que eles lançaram em dezembro de 1965.
Mas é outro o assunto da coluna nesta segunda-feira, 17 de agosto de 2026. O que trago é uma imagem que correu o mundo neste domingo, 16 de agosto.
Aos fatos. Sam Mendes, 61 anos, o cineasta de Beleza Americana, está filmando não uma biografia dos Beatles, mas quatro biografias. Uma para cada beatle.
Harris Dickinson, 30 anos, será John Lennon. Paul Mescal, 30 anos, Paul McCartney. Joseph Quinn, 32 anos, George Harrison. E Barry Keoghan, 33 anos, Ringo Starr.
É um projeto muito singular. Não apenas uma biografia. Mas quatro biografias. Como serão contadas essas histórias? Como, afinal, elas se cruzarão?
The Beatles – A Four Film Cinematic Event. É esse o pomposo nome do projeto que já tem data marcada para chegar aos cinemas do mundo todo: abril de 2028.
A imagem dos Beatles cruzando a faixa de pedestres em frente ao estúdio da EMI, em Londres, o mundo conhece desde o lançamento do álbum Abbey Road.
Abbey Road, que chegou às lojas em setembro de 1969, é o último álbum gravado pelos Beatles. Para muita gente, é o melhor entre todos os discos deles.
A capa – sem qualquer exagero – é uma imagem icônica do século XX. A foto foi feita por Iain MacMillan no final da manhã do dia oito de agosto de 1969.
Iain MacMillan, um fotógrafo escocês, tinha 30 anos quando fez a foto. O trânsito foi fechado, e a ele foram dados apenas 10 minutos para fotografar os Beatles.
Voltando às quatro cinebiografias que Sam Mendes está realizando. As filmagens começaram em março passado, e chegou a hora de recriar a travessia.
Foi o que o mundo acabou de ver. Dickinson, Keoghan, Mescal e Quinn. Nessa ordem, os quatro foram filmados cruzando a faixa de pedestres em Londres.
Milhares de pessoas que visitam Londres fazem essa travessia. Às vezes, gente que se “fantasia” de Beatles. É uma atração turística da capital da Inglaterra.
Tem até uma câmera que registra em tempo real o movimento das pessoas cruzando a faixa, que, há algum tempo, foi tombada pelo patrimônio histórico.
Mas, dessa vez, foi muito diferente. Quatro atores, devidamente caracterizados como os Beatles, fazendo a travessia de Abbey Road diante de uma equipe de cinema.
Uma bela imagem para esse mundo em guerra. Uma imagem que evoca um fenômeno musical do século XX e quatro caras que legaram a beleza das suas canções.
Em 1969, o mundo também estava em guerra. Mas os Beatles eram o oposto disso. A “revolução” deles era outra. E é a que ficou, desafiando a passagem do tempo.
