A leoa Mimi, que atualmente tem 21 anos e vive no Parque Zoobotânico Arruda Câmara (Bica), passou por procedimentos médicos na última quinta-feira (17). Os procedimentos foram feitos de forma preventiva para analisar o porquê de algumas alterações comportamentais apresentadas pelo animal na última semana.
Segundo o secretário do Meio Ambiente de João Pessoa, Welison Silveira, a alteração de comportamento do animal gerou um estado de alerta já que Mimi chegou ao parque em uma idade avançada e com comorbidades.
“Diante do seu quadro clínico, há necessidade de fazer uma análise em que ela será submetida a um procedimento por nossa equipe técnica, acompanhada de outros profissionais, assim como realizamos recentemente também na onça-pintada, onde tudo transcorreu bem”, disse.
Durante o procedimento, foram realizadas avaliações da cavidade oral e das condições ósseas e musculares de Mimi. Além disso, foi feito um exame de sangue e outros processos necessários para uma análise do quadro clínico geral do animal.
Resultado dos exames
De acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMAM), os primeiros testes indicaram alterações na função renal do animal, além de anemia. Os exames laboratoriais de Mimi também apresentaram resultados positivos para FeLV, e PIF, doenças que agem no sistema imunológico de felinos e podem levar a graves alterações de saúde.
O órgão também comunicou que o animal apresentou cistos hepáticos e atrofia renal. No quesito cardiológico, Mimi apresentou hipovolemia, que é uma condição em que o volume de sangue e líquidos no corpo sofre uma redução brusca e cardiopatia, que indica alterações no processo de circulação do sangue.
A avaliação odontológica também constatou uma doença dental e gengivite em Mimi. O animal já havia recebido tratamento odontológico anteriormente e outros estavam ausentes na nova avaliação médica. Ainda segundo o relatório, Mimi também apresentou uma fratura dentária.
Como a leoa já é considerada idosa, outros fatores também foram observados, como perda de massa muscular, alterações na pele e indícios de opacidade ocular.
A SEMAM comunicou que, apesar dos resultados, Mimi apresentou uma boa recuperação após a bateria de exames. O animal se adaptou à anestesia utilizada e, segundo o órgão, deve voltar a suas atividades habituais em pouco tempo.
Recuperação de Mimi
A leoa da Bica já recebia medicação periódica. Com os resultados dos exames, Mimi será acompanhada com mais atenção e deve ter as medicações diárias ajustadas para as novas condições de saúde identificadas.
Histórico de maus-tratos e comorbidades
Mimi foi a última leoa resgatada de circo, o animal viveu grande parte da vida participando dos espetáculos, até que foi doado por dificuldades financeiras da equipe. Após o resgate, a leoa foi encaminhada para um zoológico no Piauí.
Ao chegar ao local, equipes identificaram que o animal estava extremamente debilitado e magro, com sequelas aparentes da exploração sofrida durante os anos em que esteve no circo.
Em 2023, Mimi foi transferida para a Bica, com o objetivo de proporcionar uma companhia para a leoa Leona, que vivia sozinha no local. Desde então, Mimi recebe acompanhamento veterinário periódico.
