Votos em branco, nulos e abstenções ainda não seriam o bastante para quebrar a polarização

Flávio Bolsonaro e Lula durante coletiva após 1º turno das eleições 2026.. (Foto: Reprodução)

A polarização na disputa pela cadeira presidencial fica mais nítida a cada dia que passa. Pela terceira eleição seguida, teremos um segundo turno entre um um membro da família Bolsonaro e um candidato do PT. Nesse caso, Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT).

Com o fim do primeiro turno, um dado um tanto assustador virou debate entre grande parte da população: o pleito registrou a maior abstenção da história do Brasil. Ao todo, 33.469.244 de eleitores aptos deixaram de ir às urnas. Se somado aos votos brancos (2.300.798) e aos nulos (3.674.249), o montante chega a 39.444.291 votos que não foram pra nenhum dos candidatos à Presidência.

Porém, dada a polarização, é muito fácil que esse número fique pequeno. Se todos os votos brancos, nulos e as abstenções fossem convertidos em votos para o 3º colocado no pleito, Augusto Cury (Avante), ainda assim o segundo turno seria entre Flávio e Lula.

O CEO da Quaest, Felipe Nunes, explica que o fenômeno não se trata apenas de uma polarização e sim de uma calcificação de votos. O eleitor brasileiro, em 2026, vota de forma muito similar a como votou em 2022, quando a eleição foi decidida por pouco mais de 2 milhões de votos.

“A eleição não só tá polarizada como tá calcificada. O eleitor tá votando muito da mesma maneira que ele votou na eleição anterior”, disse Felipe Nunes.

Outra coisa a ser observada no segundo turno é um aumento no número de abstenções. Isso porque 20 estados já resolveram suas eleições para governo ainda em 1º turno. Ainda há o caso do Rio de Janeiro, onde Douglas Ruas (PL) pode ser declarado eleito antes mesmo da necessidade de um segundo turno.

Cá para nós, se quando haviam opções de terceira via, 33 milhões de eleitores deixaram de ir às urnas, acho que nem é saudável pensar em qual será o tamanho deste número existindo apenas Flávio Bolsonaro e Lula na disputa.

O fato é que, independente de quem saia vitorioso no dia 25, a polarização calcificada e danosa já está com o contrato renovado por, pelo menos, mais quatro anos.

Texto: Gabriel Abdon