Dois projetos de extensão da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), ligados aos cursos de Odontologia e Enfermagem, tem se destacado pela produção de próteses para pessoas com deformidades faciais. As iniciativas atendem pacientes em João Pessoa, e buscam recuperar funções como alimentação, fala e interação social.
Os projetos foram criados em 2010 e acompanham os pacientes em diferentes etapas. O trabalho vai da produção artesanal das próteses à aplicação e ao acompanhamento após o uso das peças.
Segundo a professora Cacilda Chaves, responsável pelo projeto de vinculado ao curso de Odontologia, o objetivo do trabalho conjunto é ajudar na reintegração dos pacientes por meio das próteses.
“Mais do que recuperar a aparência, o trabalho busca restabelecer funções essenciais do cotidiano, como alimentar-se, falar e interagir socialmente. A proposta reconhece o impacto dessas condições na vida dos pacientes e compreende a reabilitação como um processo que envolve aspectos físicos, emocionais e sociais”, disse.
O projeto atende pacientes encaminhados por hospitais ou por demanda espontânea, que sofreram algum tipo de perda estrutural na face em decorrência de câncer, acidentes automobilísticos, ferimentos por arma de fogo, acidentes domésticos, traumatismos ou alterações congênitas.
O atendimento é feito no ambulatório de Odontologia do Hospital Universitário Lauro Wanderley, em João Pessoa. No local, o paciente passa pelo acolhimento e pela avaliação inicial. Depois, é encaminhado para a produção da prótese.
Produção das peças artesanais
A produção das próteses é de responsabilidade do projeto vinculado ao curso de Odontologia. O processo acontece em várias etapas e de forma individualizada para cada paciente.
Primeiro, os estudantes fazem um molde de cera da região que receberá a prótese. Depois, o molde é preenchido com silicone medicinal e recebe pigmentação para reproduzir a cor da pele do paciente. A prótese final tem uma estrutura flexível, que facilita o uso no dia a dia.
Segundo Cacilda, os estudantes produzem diferentes tipos de próteses para atender deformidades em várias partes do rosto.
“Entre os dispositivos utilizados estão as próteses destinadas à substituição estética do globo ocular; as próteses oculopalpebrais, que reconstituem a região dos olhos e das pálpebras; as próteses nasais, indicadas para casos de perda parcial ou total do nariz; e as próteses auriculares, utilizadas na reconstrução estética da orelha. Também se destacam as próteses obturadoras de palato, que ajudam a restabelecer a separação entre as cavidades oral e nasal, favorecendo funções como alimentação, deglutição e fala”, explicou.
Reabilitação dos pacientes
Após a produção e a aplicação das próteses, os pacientes continuam sendo acompanhados por estudantes de diferentes cursos da área da saúde da universidade.
Segundo a professora Kalina Coeli, responsável pelo projeto de Enfermagem “Mãos que Cuidam: Ações de Enfermagem para Pacientes com Mutilação de Face”, o trabalho reúne profissionais e estudantes de diferentes áreas para atender às necessidades físicas e psicológicas dos pacientes.
“A equipe do projeto é composta por docentes enfermeiras, enfermeiras do HU, técnicos de enfermagem, doutorandas do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem (PPGENF) e integrantes do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Bioética e Cuidados Paliativos (NEPBCP). Também participam profissionais e estudantes de diferentes áreas, com assistência em Psicologia, Terapia Ocupacional e Nutrição. Essa composição interdisciplinar possibilita uma compreensão ampliada das necessidades físicas, emocionais, funcionais, nutricionais e sociais dos pacientes”, finalizou.
