A Polícia Federal sequestrou carros, apartamentos, fazendas, bois, cavalos, obras de arte, relógios, joias e dinheiro em contas bancárias durante a segunda fase da Operação Arena, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outros crimes contra a ordem tributária e financeira na Paraíba.
Segundo a PF, o sequestro dos bens ainda está em andamento, e o patrimônio atingido pela medida continua sendo avaliado. Por isso, ainda não é possível informar o valor total dos bens sequestrados.
No âmbito da operação, a Sétima Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) determinou a soltura de Diomar Tadeu Dantas de Farias, sócio da empresa de apostas esportivas PixBet, mediante pagamento de fiança. O empresário havia sido preso em 17 de setembro, em Jacumã, no Litoral Sul da Paraíba, durante a segunda fase da investigação.
A corporação informou que, entre os bens sequestrados, estão:
- bens móveis, como carros;
- imóveis, como apartamentos e fazendas;
- semoventes, como bois e cavalos;
- obras de arte;
- relógios e joias;
- dinheiro mantido em contas bancárias.
Em resposta aos questionamentos do Jornal da Paraíba, a Polícia Federal informou que os valores das apreensões ainda estão sendo contabilizados.
A PF também foi questionada sobre a eventual identificação, nesta segunda fase, de novas empresas, contas ou pessoas que não haviam aparecido na primeira etapa da investigação. A corporação informou que as diligências ainda estão em andamento.
O sequestro de bens é uma medida judicial que impede que um patrimônio seja vendido, transferido ou ocultado enquanto a Justiça apura se ele tem relação com os crimes investigados.
A medida pode atingir imóveis, veículos, dinheiro e outros bens. O sequestro não significa que os bens foram definitivamente confiscados nem que os investigados foram condenados. A destinação do patrimônio será definida posteriormente pela Justiça, conforme o andamento do processo.
Sócio da PixBet é preso na segunda fase da Operação Arena
A medida faz parte da segunda fase da Operação Arena, deflagrada em 17 de setembro. Nesta etapa, a PF cumpriu cinco mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva em Campina Grande e João Pessoa, além do sequestro de bens.
Um dos alvos da segunda fase é Diomar Tadeu Dantas de Farias, sócio da PixBet. Ele foi preso preventivamente e localizado em Jacumã, no Litoral Sul da Paraíba.
Segundo a investigação, Diomar é operador e beneficiário direto. O mandado de prisão contra ele havia sido expedido para ser cumprido em Campina Grande, mas ele foi encontrado em Jacumã.
A Polícia Federal também cumpriu um mandado contra Ernildo Júnior, proprietário da PixBet. Ele já havia sido abordado na primeira fase da Operação Arena, em agosto, quando teve um carro e um celular apreendidos em Campina Grande.
O Jornal da Paraíba entrou em contato com a defesa da PixBet e, até a última atualização desta reportagem, não havia obtido retorno.
Primeira fase da Operação Arena
A Operação Arena foi deflagrada pela Polícia Federal, Ministério Público da Paraíba (MPPB) e Receita Federal em agosto para investigar um grupo suspeito de evasão de divisas e lavagem de dinheiro por meio de apostas esportivas.
Na primeira fase, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão na Paraíba, São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná. A Justiça também determinou medidas de quebra de sigilo bancário e telemático e o sequestro de até R$ 1,1 bilhão em bens.
Segundo a Polícia Federal, recursos provenientes das apostas eram enviados para uma empresa de fachada registrada em Curaçao. O dinheiro depois retornava ao Brasil como pagamento por serviços que, segundo a investigação, não haviam sido realizados.
Ainda de acordo com a investigação, a empresa emitia notas fiscais por serviços que não teriam sido realizados. Com isso, o dinheiro retornava ao Brasil como pagamento por supostos serviços contratados no exterior, aparentando ter origem legal.
Na Paraíba, a sede da Pixbet, em Campina Grande, foi alvo da operação. A empresa é investigada no caso.
A primeira fase também teve como alvo o advogado Nelson Wilians, em São Paulo. A defesa dele afirmou que a relação entre o escritório e a Pixbet era estritamente profissional e decorrente da prestação de serviços de advocacia.
A defesa da Pixbet afirmou, na época, que não havia tido acesso à decisão que autorizou a operação e que foi pega de surpresa. A empresa disse que se manifestaria após analisar o documento.
