Palestra em Sorocaba trata do enfrentamento ao racismo – Agência de Notícias



22 de outubro de 2026

9:40

Por: Mariana Campos

Profissionais da Secretaria da Cidadania (Secid) e da Secretaria da Educação (Sedu) tiveram a oportunidade de conferir, na quarta-feira (21), a palestra ‘Entendendo o nosso papel para uma sociedade livre de racismo e toda forma de discriminação’, com o professor Robson Silva Ferreira, coordenador de Políticas para a População Negra do Estado de São Paulo, da Secretaria Estadual da Justiça, no Centro de Referência em Educação (CRE).

O objetivo da iniciativa foi de promover a reflexão e o diálogo sobre o papel individual, coletivo e institucional na construção de uma sociedade comprometida com a equidade racial, o respeito à diversidade e o enfrentamento ao racismo e de todas as formas de discriminação.

A palestra, com mediação do professor Odirlei Botelho da Silva, também buscou contribuir para a ampliação dos conhecimentos e o fortalecimento de atitudes e práticas antirracistas, destacando a importância da atuação na promoção de ambientes inclusivos, acolhedores e comprometidos com a garantia dos direitos humanos e a valorização das diferenças.

Na ocasião, o palestrante Robson Silva Ferreira falou sobre a trajetória da população negra no Brasil, as leis abolicionistas, como a Lei do Ventre Livre (1871), a Lei dos Sexagenários (1885) e a Lei Áurea (1888), a teoria do embranquecimento e o mito da democracia racial, entre outros aspectos importantes.

“A Lei Áurea tem apenas dois dispositivos e não prevê um tratamento humanizado e a inserção dessa população na sociedade. A legislação põe fim ao sistema de escravidão, mas faltou garantir a dignidade das pessoas, com a inclusão e os direitos fundamentais e garantias, como emprego, educação, renda e saúde”, destacou o palestrante, citando o livro ‘A Última Trincheira da Escravidão’, de Cristovam Buarque, que argumenta que a Lei Áurea apenas libertou juridicamente os escravizados, mas falhou pois não veio acompanhada de políticas de inclusão.

A palestra também abordou a Constituição de 1934, que determinava que União, Estados e Municípios deveriam desenvolver a educação eugênica. “A ideia era desenvolver a raça pura no Brasil. Esse trabalho já vinha sendo desenvolvido no país. Foi um processo científico estudado por grandes pensadores da época”, comenta. O professor também destacou a existência de fazendas de reprodução sistemática de pessoas escravizadas.

“A palestra foi de extrema importância, pois proporcionou reflexão e conscientização sobre o racismo, suas consequências e a necessidade de combatê-lo diariamente. Falar sobre esse tema é fundamental para desconstruir preconceitos, promover o respeito à diversidade e fortalecer a construção de uma sociedade mais justa, igualitária e livre de discriminação. A ideia é que momentos como esse continuem acontecendo, transformando conhecimento em atitudes concretas de enfrentamento ao racismo e de promoção da igualdade racial”, enfatiza a coordenadora da Igualdade Racial da Secid, Viviane Taveira.

A programação fez parte da Jornada para a Equidade Racial: Diálogos, Memórias e Resistências, realizada pela Coordenadoria da Igualdade Racial da Secid e pela Comissão de Trabalho Mista, com apoio técnico pedagógico da Sedu e do Agente de Governança Regional da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ).